De Literatura e outras Mentiras

Esse blog tem por finalidade aprimorar as possibilidades de comunicação com os alunos e ex-alunos das disciplinas do Professor Ricardo Martins Valle
e com os envolvidos no Projeto de Extensão Continuada Difusão de Repertórios e Rotinas de Leitura, do Departamento de Estudos Lingüísticos
e Literários, da UESB-Vitória da Conquista.

Neste semestre, temos: Literatura Portuguesa II (séculos XV-XVI) e Literatura Brasileira III (século XVIII),
além do início das Rotinas de Leitura da Ilíada de Homero e dos Diálogos de Platão.

No rodapé desta página (lá no mais fundo subsolo deste gramado), você encontrará links para acervos virtuais
de obras de nosso interesse. Não deixe de conferir e de sugerir novos links da mesma natureza.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A Ilíada de Homero nas manhãs de quinta

Como primeira rotina de leitura, o projeto de Extensão Continuada Difusão de Repertórios e Rotinas de Leitura terá como repertório em foco a Ilíada, de Homero (aproximadamente IX a.C.), lida na bela tradução brasileira de Carlos Alberto Nunes, que será disponibilizada aos interessados, não sendo necessária a aquisição do livro.

No dia 17/03/2011, quinta-feira, terão início os encontros semanais para a leitura coletiva dessa obra em vários sentidos fundamental para a assim chamada "Literatura Ocidental". Ensinados, comentados, lidos, emulados, imitados desde os séculos VII e VI a.C. pelo menos, sempre citados nas tradições de línguas européias, os poemas anônimos de Homero, restados de anos pouco conhecidos, dos gregos micênicos, estavam sempre junto ao doce Werther, quando saía para caminhar com o seu Homero, na edição alemã de bolso, como lemos nos Sofrimentos do Jovem Werther (1774), de Goethe, foram objeto de admiração de Marx, que é reconhecido como bom leitor do romance de sua época, foram também recriados literariamente pelas vanguardas artísticas do século XX, como também, e antes de tudo, foram modelo de um poema da importância da Eneida de Virgílio, sem cuja interpretação eu mesmo mal conseguiria pensar por que é que ainda falamos latim em minúsculo neste fim dos tempos e neste fim de mundo.

Devido à anterioridade e à autoridade desse extenso poema de guerra, a importância da Ilíada é incomparável, tanto para as línguas grega e romana antigas, como para toda a "Literatura" que se fez na era cristã em âmbitos europeus e de colonização européia até as últimas modernidades do século atual. Com efeito, a Ilíada tem sempre interesse muito abrangente, seja para os que queiram se aprofundar nos estudos literários em geral, seja para todos os amantes de bons livros e conhecimento livre.

Um livro assim grande e antigo, porém, dificilmente alguém o toma para uma leitura solitária "nesses nossos dias". Por essa razão, encontros para a leitura conjunta, poderiam ser um convite a vencer essa barreira imaginária entre o "leitor comum" e as "grandes obras da Literatura e do Pensamento". Porque, por detrás desta barreira - aliás, como sabemos e temos falado -, escondem-se, como sob grossas lonas empoeiradas, armas de guerra sempre limpas para o uso, discursos de autoridade que são sempre discurso de efetivação de poder sobre todos os corpos. A dificuldade imposta pelos meios de conhecimento autorizados são a primeira condição para que o conhecimento se perverta em mercadoria, em distinção de valor, e daí em forma e instrumento de poder coercitivo. Daí a necessidade de descentralização de conhecimento não como uma expansão continuada da Ideologia das Luzes, mas como distribuição indiscriminada de anti-mercadoria.

Os encontros serão no Museu Regional, às quintas-feiras, das 10h30 às 11h30. Alunos que de alguma forma quiserem envolver-se no projeto podem declarar-se por aqui ou por e-mail. Sim?

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