De Literatura e outras Mentiras

Esse blog tem por finalidade aprimorar as possibilidades de comunicação com os alunos e ex-alunos das disciplinas do Professor Ricardo Martins Valle
e com os envolvidos no Projeto de Extensão Continuada Difusão de Repertórios e Rotinas de Leitura, do Departamento de Estudos Lingüísticos
e Literários, da UESB-Vitória da Conquista.

Neste semestre, temos: Literatura Portuguesa II (séculos XV-XVI) e Literatura Brasileira III (século XVIII),
além do início das Rotinas de Leitura da Ilíada de Homero e dos Diálogos de Platão.

No rodapé desta página (lá no mais fundo subsolo deste gramado), você encontrará links para acervos virtuais
de obras de nosso interesse. Não deixe de conferir e de sugerir novos links da mesma natureza.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Desativação do Blog

Este Blog foi desativado no início de 2012. Parte de seu conteúdo deve migrar para o Blog Literatura e outras inconformações
eoutrasinconformações.blogspot.com

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Platão na sala da AMPE

A Rotina de Leitura do Eutífron de Platão ocorre todas as sextas-feiras, a partir das 18h10, salvo temporal, no espaço organizado pela Área de Metodologia e Prática de Ensino, na última sala do segundo andar do Módulo Acadêmico, à esquerda. Novos diálogos serão iniciados em breve. Admitindo novos integrantes nas rotinas de leitura.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Volta às aulas

Bom, acabou a greve, passou o São João, durou a tramitação do CONSEPE, os futuros alunos estão a fazer vestibular. Ainda não temos certeza de que haverá aula a partir da quarta ou quinta-feira, por conta da mobilização dos alunos. Mas pelo que está previsto, quarta-feira (6jul2011) temos aula de Literatura Portuguesa II para Modernas e Literatura Brasileira III para Vernáculas.

Na outra semana, tudo normal: de terça a sexta-feira, nos lugares e horários previstos, aulas de Literatura Portuguesa I (modernas e vernáculas) e Literatura Brasileira III (modernas), bem como as reuniões para as rotinas de leitura da Ilíada e do Eutífron.


Lembro que, em Portuguesa II, alguns já receberam um roteiro de questões, como guia de estudo/proposta de atividade, sobre o "Prólogo ao Leitor" de Fernão Lopes. É um roteiro de leitura quase.


Quanto às rotinas de leitura do Programa de Extensão, vamos ter que refazer rapidamente uma divulgação e eu peço ajuda para isso!!! Porque é importante falar com alunos de outras turmas e cursos, para começarmos com um número maior de interessados. Gostaria de ajuda para fazer um textinho para pôr na rádio. Para isso, a reunião dos que já estão inteirados, na quinta e na sexta-feira (30jun e 1jul) pela manhã, no Museu. Também pensei em divulgarmos nos locais de convívio da assim chamada "terceira idade", que é perto dali. Essa é a pauta. E o que ocorrer, como se diz, ou melhor, como se faz contar.
Alunos que querem participar da extensão, escrevam-me um e-mail com seu nome completo, seu nome ou apelido com que prefere ser chamado e seu cpf, para fazermos o cadastro e tocarmos o barco.

Até!

sábado, 5 de março de 2011

Chronica del Rey Dom Pedro I deste nome, e dos reys de Portugal o oitavo, cognominado o Justiceiro, na forma em que a escereveo Fernão Lopes, Lisboa Occidental, 1735

Tcha-ran-ran-ran! Consegui postar o link de um livro de biblioteca digital. Trata-se da reimpressão setecentista da Crônica de Dom Pedro I, de Fernão Lopes (século XV), que começamos a ler em sala.

 

Chronica del Rey D. Pedro I deste nome, e dos reys de Portugal o oitavo cognominado o Justiceiro na forma em que a escereveo Fernão Lopes..., Lisboa Occidental, 1735 - Biblioteca Nacional Digital


Clicando no link acima você poderá ler o livro na antiga edição moderna, de 1735! Depois de clicar, abrirá uma página com dados catalográficos e com três  links (embaixo à esquerda).


Escolha (1) "cópia pública JPG" para manusear o livro dentro do próprio site da Biblioteca Nacional portuguesa. Ou então, (2) é possível também baixar "cópia pública PDF" (em um único "ficheiro", como dizem os portugueses para "arquivo digital"). Nem sempre dá certo o download.

Experimente primeiro usar o site da Bibliteca, "cópia publica JPG", a alternativa (1). Do lado esquerdo haverá uma coluna com numeração de páginas localização dos capítulos. Tudo linkado com o  interior do livro.


Se quiser buscar outras obras, vá à página de busca da  Biblioteca Nacional Digital.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O Eutífron de Platão no início das noites de sexta

Como tem havido muitos alunos demonstrando interesse pelas Rotinas de Leitura, vamos adiantar o início do grupo de leitura dos Diálogos de Platão (que estava programado para abril ou maio), a fim de que já possa haver duas opções de horário e de assunto. Assim, as pessoas talvez possam distribuir-se melhor entre dois grupos, que, aliás, esperamos serem constituídos não só por alunos de Letras, mas também de outros cursos da UESB, além do público em geral, já que se trate de um Projeto de Extensão.

O primeiro diálogo a ser lido será o Eutífron. Não se trata de um diálogo muito conhecido, mas é o primeiro diálogo da primeira tetralogia de Trasilo. Trasilo, esse ilustre desconhecido para nós, é um nome importante na tradição neoplatônica da Academia, um dos propositores de uma determinada ordem em que os diálogos provavelmente foram ensinados em alguns momentos e lugares, entre o final da assim chamada Antiguidade e o início da era cristã.

Não se trata nem da única, nem da principal classificação dos diálogos. Existem, por exemplo, as trilogias de Aristófanes de Bizâncio, que também organiza os diálogos como séries de lições didaticamente pensadas. Este, evidentemente, não era o famoso Aristófanes das Comédias e personagem do Banquete, de Platão, porque Aristófanes de Atenas era contemporâneo, além de inimigo declarado de Sócrates, sendo, portanto, um pouco anterior ao próprio Platão e incompatível com um "sistema socrático" que é o que os Diálogos de Platão constituem para a posteridade. Como sabemos, além de ridicularizar Sócrates, na comédia As nuvens, Aristófanes, o Cômico, assina com outros atenienses a petição que levaria à condenação de Sócrates perante o Tribunal de Atenas.

Aliás, é esta a circunstância narrativa do diálogo Eutífron: Sócrates encontra o vidente ateniense que dá nome ao diálogo em frente ao Tribunal, porque acabara de ser "intimado", como se diz hoje. O tema do diálogo gira em torno da definição do que é justo e do que é santo, e da necessidade tipicamente platônica de se pensar um Bem universal, para além dos bens particulares, os quais a inteligência não seria capaz de reconhecer (ao menos não filosoficamente), se não buscar conhecer o Bem em geral. É este, enfim, provavelmente o tema mais recorrente nos Diálogos, senão o tema central dos Diálogos. Nitidamente, porém, o Eutífron é voltado para não iniciados, sendo muito curto, com cerca de 20 páginas apenas. Ao mesmo tempo, é bem pouco complexa a disputa dialógica entre o filósofo e o vidente, se comparada com a República, por exemplo, que gira em torno desses temas ao longo de cerca de 400 páginas!

Tanto a classificação de Aristófanes de Bizâncio quanto a de Trasilo devem ter tido suas tradições particulares, cujos desdobramentos mais específicos não nos interessam aqui. Nos dois casos, são classificações que envolvem uma determinada ordem para ler os diálogos, como ficou dito. Existem ainda outras formas antigas de classificar os diálogos que não por uma ordem de leitura do mais simples ao mais complexo. Algumas classificações são conformes à natureza do assunto (diálogos éticos e teoréticos, por exemplo), outras conforme a forma discursiva (diegeséticos e miméticos), e assim por diante, dependendo das épocas e dos comentadores em questão.

Aqui foi escolhida a ordem de Trasilo, apenas por ser a porta de entrada que, um dia, eu escolhi para reler os diálogos com mais sistema. Também porque a ordem assim disposta me pareceu eficaz para chegar (bem mais tarde) à leitura de textos extensos e complexos como os livros da República e das Leis. Nesta sequência de tetralogias, os diálogos demonstram ser uma espécie de "sistema de ensino" que parece conduzir os não iniciados à iniciação e penetração neste sistema místico-jurídico tão influente sobre toda a era cristã, de que fazemos parte.

Com efeito, a filosofia de Platão foi ensinada por diversas formas, durante quase um milênio (aproximademente entre os séculos V a.C e V d.C), tendo diversos intérpretes ligados quase sempre à instituição escolar ateniense fundada por Platão, mas também fora dela, entre os assim chamados Padres da Igreja, por exemplo, e entre incontáveis outros fora da ortodoxia católica.

A famosa Academia, de onde, entre tantos outros, saiu Aristóteles para fundar o seu Liceu, recebeu, durante os séculos de supremacia latina no Mediterrâneo, cidadãos romanos ilustres para estudar grego e filosofia grega. Este refinamento básico para a "casta" de optimates de Roma visava à educação dos filhos das famílias principais do Império em plena expansão belicosa, os quais filhos constituiriam as classes políticas que viriam a governar a Cidade, seus exércitos, suas colônias, como membros de uma oligarquia senatorial republicana, antes da centralização operada por Júlio César e Otávio Augusto.

Um caso destes é o nobre e distinto Brutus, o tão conhecido assassino republicano de Júlio César, além de amigo e correligionário de Cícero. Brutus dá título a um dos livros sobre Retórica deste último, e é também seu interlocutor em outros textos ciceronianos igualmente importantes. O próprio Cícero, que manteve professores gregos em sua casa e também pertencia à nobreza senatorial romana, menciona a educação ateniense do amigo Brutus, no livro de mesmo nome, referindo particularmente seu conhecimento em dialética, por ter passado justamente pela Academia, que então já tinha cerca de quatro séculos de existência.

É óbvio que não é preciso escrever uma linha sequer para justificar a importância dos Diálogos, mas é preciso enfatizar que aqui não se pretende repor acriticamente mistificações românticas da filosofia grega, nem repetir o elogio da "grandeza" desse sistema filosófico antigo. Basicamente o que esta breve e imprecisa exposição pretende é fazer ver que Platão esteve na base da constituição de muito poder, na legitimação de máquinas de guerra estatais que vão do Império Romano às destrutivas democracias de mercado globalizadas. Estas se apóiam na falácia da pseudo-etimologia do termo democracia, por exemplo, com o fito de legitimar todas as mais brutais violências e enganos da mundialização do valor monetário, como se viu nas fraudes anglo-americanas que justificaram invasões desastrosas no Oriente Médio entre as últimas décadas do século XX e início do XXI.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Literatura Brasileira III : A poesia do século XVIII no Brasil

A disciplina Tópicos de Literatura Brasileira III, para Vernáculas, tem como ementa as poesias, e outras letras, produzidas no Século XVIII no Brasil, ainda Colônia. Depois de Brasileira I (o século XVI, as letras dos primeiros tempos da colonização) e de Brasileira II (o século chamado "Barroco"), Literatura Brasileira III deve destacar mais especificamente as instituições implicadas na poesia dos árcades, que produziram apenas a partir da segunda metade do século XVIII.

Para situar cruzando algumas informações, basta lembrar que são aquelas duas ou três gerações de poetas portugueses ligados às Capitanias de Minas Gerais e Rio de Janeiro, que nasceram ou residiram parte da vida na Colônia americana. São nomes como Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Basílio da Gama, Santa Rita Durão, Alvarenga Peixoto e Silva Alvarenga. Basicamente, súditos letrados del-Rei de Portugal, que foram identificados historicamente ao momento que os historiadores chamaram de "ciclo do ouro" no Brasil, o conhecido "século do ouro", no decorrer do qual se exauriram as minas de ouro da região de Minas Gerais.

Às vésperas do definitivo colapso do Estado português como Império Marítimo, Portugal, por meio das Minas, do Brasil, refazia nessa época o tempo dourado da Mina, da Guiné, que, entre o fim do século XV e início do XVI, financiara a expansão portuguesa. Isso, aliás, foi tema reiterado em muitos lugares da poesia desses brasileiros, no sentido que então se empregava no reino: qualquer pessoa que tivesse passagem pelo Brasil.

Nos romances de Eça de Queirós, no final do século XIX já, o termo brasileiro, tem ainda fortemente essa acepção. É chamado de brasileiro aquele que, por exemplo, nasceu nos arredores de Coimbra, pobre, vai para o Brasil, negocia escravos ou tabaco, enriquece, volta, compra uma quinta, vive de rendas, rico, etc, mas é chamado de Fulano Brasileiro. Há alguns tipos assim na literatura portuguesa e é provável que essa acepção seja usual em Portugal ainda hoje. Uma forma de evitar este apelido, que para portugueses evidentemente pode soar depreciativo, é a estratégia de Basílio, do romance realista O primo Basílio (1878), que, depois de enriquecer no Brasil, vai para Paris, para dali retornar a Lisboa. Assim não se permite que corra a noticia pela capital portuguesa de que o rapaz vem da velha colônia na América, mas faz-se publicar nos jornais que o moço de sociedade visitava a pátria, recém-chegado du Monde, que é como Paris era chamada desde antes do século XVIII.

Lembrando que falamos aqui de brasileiro, portanto, de forma cautelosa, espero que possamos tratar a poesia de brasileiros que fizeram poesia no final do século XVIII em conformidade evidente com suas próprias instituições escolares, que pressupunham a poética e a retórica, a ética e a teologia católicas, atualizadas como instituições de saber no interior das instituições políticas da Monarquia Portuguesa.

Depois a gente vê outras questões.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

De Fernão Lopes a Camões: Literatura Portuguesa II

A disciplina Tópicos de História da Literatura Portuguesa II tem como conteúdo programático, conforme a ementa de onde pode selecionar seus tópicos para discussão, o período que vai de Fernão Lopes a Camões, de 1448 a 1580, segundo o corte arbitrário da periodologia.

Assim, podemos continuar a discutir as coisas complicadas que vínhamos discutindo, selecionando gêneros poéticos ou de caráter ficcional situados entre os séculos XIV e XV. Trata-se daquele período de grande proliferação de letras portuguesas graças às suas conquistas militares em todas as terras do além-mar. Tempo repleto de nomes mais e menos célebres como Fernão Lopes, Gomes Eanes de Zurara e Fernão Mendes Pinto, entre prosadores e cronistas, Garcia de Resende e Gil Vicente, entre poetas da corte no início do século XV, Sá de Miranda, Antônio Ferreira, Diogo Bernardes, entre os "modernos" e "italianizantes" do meio para fim do século em que está incluído, claro, Luís Vaz de Camões, o grande nome que, desde o romantismo alemão, passa a valer por todos.

Como Letras do Império Marítimo Português, toda essa "Literatura" produzida neste um século e meio está fortemente identificada com o Estado Monárquico católico dos reis da Dinastia de Avis, sendo a maior parte dessas letras dedicadas a erguer monumentos à empresa marítima francamente vitoriosa até então. Outra grande parte dessas letras está destinada à recreação da vida de corte para cujo refinamento Portugal empreende grandes esforços desde o tempo de Dom Dinis, com o patrocínio das belas-letras para enaltecimento da pequena monarquia cheia de gigantescos e violentos propósitos civilizatórios, os quais ao longo dos anos que aqui mais nos interessam foram levados a termo, com muita guerra, em obediência e cumprimento dos desígnios papais da famosa Bulla Praeclara carissimi, por exemplo, que é um "decreto vaticano" de 1551 e confirmava aos reis de Portugal a missão das feitorias de África e demais terras do Império Universal de Cristo, centralizado em Roma, deixadas até então a "bárbaros" e "gentios", ou aos "ímpios" de religião semita anti-cristã, ou ainda recentemente tomadas aos mais novos sectários de cristianismos dissidentes.

É verdade que a monarquia-companhia marítima, promissora no tempo do Infante Dom Pedro, o Príncipe navegador do século XV, estava, neste decantado apogeu do século XVI, às vésperas de uma não esperada derrocada muito rápida entre os anos de 1560 e 1580. Ao fim destas décadas, após continuadas derrotas para mouros islamitas e protestantes holandeses, é sempre bom lembrar que o trono português, sem herdeiro, passou a ser ocupado pelo rei da Espanha, Filipe II, já então herdeiro do Império Habsburgo do belicoso Imperador Carlos V, Império de gigantescos domínios, mas também já em lenta derrocada.

Para os alunos de Modernas, alguns tópicos da "literatura portuguesa medieval" já em parte tocaram temas dessa ordem, mas os conteúdos foram pouco sistematizados, o que pretendia fazer no fim do semestre e não consegui. Para os alunos de Vernáculas, tudo normal. Será muito bom reencontrá-los e espero que seja um bom curso.