De Literatura e outras Mentiras

Esse blog tem por finalidade aprimorar as possibilidades de comunicação com os alunos e ex-alunos das disciplinas do Professor Ricardo Martins Valle
e com os envolvidos no Projeto de Extensão Continuada Difusão de Repertórios e Rotinas de Leitura, do Departamento de Estudos Lingüísticos
e Literários, da UESB-Vitória da Conquista.

Neste semestre, temos: Literatura Portuguesa II (séculos XV-XVI) e Literatura Brasileira III (século XVIII),
além do início das Rotinas de Leitura da Ilíada de Homero e dos Diálogos de Platão.

No rodapé desta página (lá no mais fundo subsolo deste gramado), você encontrará links para acervos virtuais
de obras de nosso interesse. Não deixe de conferir e de sugerir novos links da mesma natureza.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Literatura Brasileira III : A poesia do século XVIII no Brasil

A disciplina Tópicos de Literatura Brasileira III, para Vernáculas, tem como ementa as poesias, e outras letras, produzidas no Século XVIII no Brasil, ainda Colônia. Depois de Brasileira I (o século XVI, as letras dos primeiros tempos da colonização) e de Brasileira II (o século chamado "Barroco"), Literatura Brasileira III deve destacar mais especificamente as instituições implicadas na poesia dos árcades, que produziram apenas a partir da segunda metade do século XVIII.

Para situar cruzando algumas informações, basta lembrar que são aquelas duas ou três gerações de poetas portugueses ligados às Capitanias de Minas Gerais e Rio de Janeiro, que nasceram ou residiram parte da vida na Colônia americana. São nomes como Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Basílio da Gama, Santa Rita Durão, Alvarenga Peixoto e Silva Alvarenga. Basicamente, súditos letrados del-Rei de Portugal, que foram identificados historicamente ao momento que os historiadores chamaram de "ciclo do ouro" no Brasil, o conhecido "século do ouro", no decorrer do qual se exauriram as minas de ouro da região de Minas Gerais.

Às vésperas do definitivo colapso do Estado português como Império Marítimo, Portugal, por meio das Minas, do Brasil, refazia nessa época o tempo dourado da Mina, da Guiné, que, entre o fim do século XV e início do XVI, financiara a expansão portuguesa. Isso, aliás, foi tema reiterado em muitos lugares da poesia desses brasileiros, no sentido que então se empregava no reino: qualquer pessoa que tivesse passagem pelo Brasil.

Nos romances de Eça de Queirós, no final do século XIX já, o termo brasileiro, tem ainda fortemente essa acepção. É chamado de brasileiro aquele que, por exemplo, nasceu nos arredores de Coimbra, pobre, vai para o Brasil, negocia escravos ou tabaco, enriquece, volta, compra uma quinta, vive de rendas, rico, etc, mas é chamado de Fulano Brasileiro. Há alguns tipos assim na literatura portuguesa e é provável que essa acepção seja usual em Portugal ainda hoje. Uma forma de evitar este apelido, que para portugueses evidentemente pode soar depreciativo, é a estratégia de Basílio, do romance realista O primo Basílio (1878), que, depois de enriquecer no Brasil, vai para Paris, para dali retornar a Lisboa. Assim não se permite que corra a noticia pela capital portuguesa de que o rapaz vem da velha colônia na América, mas faz-se publicar nos jornais que o moço de sociedade visitava a pátria, recém-chegado du Monde, que é como Paris era chamada desde antes do século XVIII.

Lembrando que falamos aqui de brasileiro, portanto, de forma cautelosa, espero que possamos tratar a poesia de brasileiros que fizeram poesia no final do século XVIII em conformidade evidente com suas próprias instituições escolares, que pressupunham a poética e a retórica, a ética e a teologia católicas, atualizadas como instituições de saber no interior das instituições políticas da Monarquia Portuguesa.

Depois a gente vê outras questões.

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