A disciplina Tópicos de História da Literatura Portuguesa II tem como conteúdo programático, conforme a ementa de onde pode selecionar seus tópicos para discussão, o período que vai de Fernão Lopes a Camões, de 1448 a 1580, segundo o corte arbitrário da periodologia.
Assim, podemos continuar a discutir as coisas complicadas que vínhamos discutindo, selecionando gêneros poéticos ou de caráter ficcional situados entre os séculos XIV e XV. Trata-se daquele período de grande proliferação de letras portuguesas graças às suas conquistas militares em todas as terras do além-mar. Tempo repleto de nomes mais e menos célebres como Fernão Lopes, Gomes Eanes de Zurara e Fernão Mendes Pinto, entre prosadores e cronistas, Garcia de Resende e Gil Vicente, entre poetas da corte no início do século XV, Sá de Miranda, Antônio Ferreira, Diogo Bernardes, entre os "modernos" e "italianizantes" do meio para fim do século em que está incluído, claro, Luís Vaz de Camões, o grande nome que, desde o romantismo alemão, passa a valer por todos.
Como Letras do Império Marítimo Português, toda essa "Literatura" produzida neste um século e meio está fortemente identificada com o Estado Monárquico católico dos reis da Dinastia de Avis, sendo a maior parte dessas letras dedicadas a erguer monumentos à empresa marítima francamente vitoriosa até então. Outra grande parte dessas letras está destinada à recreação da vida de corte para cujo refinamento Portugal empreende grandes esforços desde o tempo de Dom Dinis, com o patrocínio das belas-letras para enaltecimento da pequena monarquia cheia de gigantescos e violentos propósitos civilizatórios, os quais ao longo dos anos que aqui mais nos interessam foram levados a termo, com muita guerra, em obediência e cumprimento dos desígnios papais da famosa Bulla Praeclara carissimi, por exemplo, que é um "decreto vaticano" de 1551 e confirmava aos reis de Portugal a missão das feitorias de África e demais terras do Império Universal de Cristo, centralizado em Roma, deixadas até então a "bárbaros" e "gentios", ou aos "ímpios" de religião semita anti-cristã, ou ainda recentemente tomadas aos mais novos sectários de cristianismos dissidentes.
É verdade que a monarquia-companhia marítima, promissora no tempo do Infante Dom Pedro, o Príncipe navegador do século XV, estava, neste decantado apogeu do século XVI, às vésperas de uma não esperada derrocada muito rápida entre os anos de 1560 e 1580. Ao fim destas décadas, após continuadas derrotas para mouros islamitas e protestantes holandeses, é sempre bom lembrar que o trono português, sem herdeiro, passou a ser ocupado pelo rei da Espanha, Filipe II, já então herdeiro do Império Habsburgo do belicoso Imperador Carlos V, Império de gigantescos domínios, mas também já em lenta derrocada.
Para os alunos de Modernas, alguns tópicos da "literatura portuguesa medieval" já em parte tocaram temas dessa ordem, mas os conteúdos foram pouco sistematizados, o que pretendia fazer no fim do semestre e não consegui. Para os alunos de Vernáculas, tudo normal. Será muito bom reencontrá-los e espero que seja um bom curso.
De Literatura e outras Mentiras
Esse blog tem por finalidade aprimorar as possibilidades de comunicação com os alunos e ex-alunos das disciplinas do Professor Ricardo Martins Valle
e com os envolvidos no Projeto de Extensão Continuada Difusão de Repertórios e Rotinas de Leitura, do Departamento de Estudos Lingüísticos
e Literários, da UESB-Vitória da Conquista.
Neste semestre, temos: Literatura Portuguesa II (séculos XV-XVI) e Literatura Brasileira III (século XVIII),
além do início das Rotinas de Leitura da Ilíada de Homero e dos Diálogos de Platão.
No rodapé desta página (lá no mais fundo subsolo deste gramado), você encontrará links para acervos virtuais
de obras de nosso interesse. Não deixe de conferir e de sugerir novos links da mesma natureza.
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